
Por um lado, a belíssima Serra do Mar, e por outro a majestosa Serra da Mantiqueira e entre elas o Vale por onde corre o Rio Paraíba do Sul. Por isso então: VALE DO PARAÍBA
A GEOGRAFIA SERRANA
- A Serra do Mar com aproximadamente 500 km vai do Estado do Rio de Janeiro passa pelos Estados de São Paulo e Paraná até o Estado de Santa Catarina. Sempre junto ao mar, acompanhando o desenho da costa do país, nesses estados;
- Serra da Mantiqueira, também com cerca de 500 km iniciando na cidade de Barbacena/MG e terminando na cidade de Bragança Paulista/SP. Maior parte (60%) está no Estado de Minas Gerais;
- Ambas configuram a formação do Vale do Paraíba que nessa análise vai de Queluz/SP até Igaratá/SP continuando no estado do RJ até Volta Redonda, e nessa região encontramos os seguintes principais Polos:
- Alta Tecnologia: (ITA, INPE, CEMADEM);
- Religioso: (Aparecida, Guaratinguetá do Santo Frei Galvão, Canção Nova em Cachoeira Paulista);
- Turismo: (Taubaté, Monteiro Lobato, Campos do Jordão);
- Industrial: Cervejeiro de Jacareí, Aeronáutico/ Aeroespacial de São José dos Campos,
- Automobilístico de Taubaté, Jacareí, São José dos Campos e Resende/RJ
- Alimentos com produção de vinhos e azeites de Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí.
A GEOGRAFIA – RIO PARAÍBA
- O Rio Paraíba do Sul nasce do encontro do Rio Paraitinga com o Rio Paraibuna no município do mesmo nome.
- Após 1.200 km sua foz no oceano Atlantico está no norte do Estado do Rio de Janeiro.
- Fato curioso da natureza: Da nascente do Rio Paraíba do Sul o seu curso segue direção sudeste e próximo ao município de Guararema/SP deflete para a direção nordeste (fig.3) enquanto o Rio Paraitinga nasce na cidade de Areias/SP, divisa com Rio de Janeiro e “desce” para o Sul até Paraibuna para depois “subir” já como Rio Paraíba do Sul.
- Outro fato curioso da natureza: A nascente do Rio do Tietê em Salesópolis/SP está a apenas 62 km da nascente do Rio do Paraíba do Sul, porém seu curso segue em direção ao noroeste cortando em diagonal (a 90º do curso do Paraíba) e quase 1.500 km sua foz se dá como afluente do Rio Paraná logo após a represa que se configura na Hidrovia Tietê-Paraná, próximo da cidade de Três Lagoas/MS.
A HISTÓRIA
- Já no início, imediatamente após o descobrimento do Brasil, dois polos foram criados. Em 1.531 é fundada São Vicente/SP, a cidade mais antiga do Brasil que hoje pertence à Região Metropolitana da Baixada Santista, que tem Santos/SP como sede, e em 1,535 foi fundada a cidade do Rio de Janeiro/RJ. Entre essas duas datas, foi fundada São Paulo em 1.554;
- Claro, sem que se soubesse à época, esse triangulo ficou registrado na história do Brasil, quando em 14/08/1822 D. Pedro I fez o trajeto no qual o Vale do Paraíba teve presença histórica, pois visitou e se hospedou nas cidades (hoje formando o Vale Histórico) de: Bananal, São José do Barreiro, Areias, Cachoeira Paulista, Lorena, Guaratinguetá, Aparecida, Pindamonhangaba, Taubaté e Jacareí. Chegou em São Paulo em 25/08/1822. Com comitiva de cerca de 40 pessoas fez a viagem em “lombo de mula”;
- De São Paulo foi à Santos. Essa viagem tem várias versões, mas lá foi se encontrar com José Bonifácio de Andrada e Silva, o estrategista do Imperador, considerado o “Patrono da Independência”. Dias depois como todos sabem, dia 07/09/1822 foi proclamada a Independência do Brasil;
- O Vale do Paraíba presente na história por esse memorável fato, mas também por se tornar a ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo a principal ligação entre as duas metrópoles. Hoje, de longe, o principal eixo de Transporte e Logística do Brasil.
- Mas, para Logística o Vale do Paraíba começou ter importância econômica ainda na segunda metade do século 19, tanto pelas exportações (legais e contrabandeadas) para a Europa através de rotas de estradas e formação de polos com acesso a portos como Taubaté/São Sebastião, Cunha/Paraty, Volta Redonda/Angra dos Reis.
A ECONOMIA
O Estado de São Paulo tem uma divisão geopolítica com várias regiões, e no Vale do Paraíba temos a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte.
- Na RMVALE/LN existem 5 sub-regiões com características sociais e econômicas distintas e é composta por 39 municípios, é a 12ª região metropolitana do Brasil com 2,6 milhões de habitantes. Cerca de 98% das atividades econômicas tem origem urbana e só 2% de ocupação agrícola (diferente de 50 anos atras em que o café e leite foram o forte da economia);
- Sob a ótica da influência econômica o Vale do Paraíba que faz divisa com Minas Gerais e Rio de Janeiro, também integra um polígono geográfico com vértices em Resende/RJ, Varginha/MG, Porto Ferreira/SP, Grande São Paulo e São Sebastião/SP, cujas cidades se conectam em eixos rodoviários e ferroviários representando 134 municípios com cerca de 36 milhões de habitantes e PIB de R$1,85 trilhões (Fonte: AGEMVALE e Prefeitura de São José dos Campos/LOGVALE);
- Região importante no Comércio Internacional com R$45 bilhões em exportação e R$62 bilhões em importação (Fonte: MDIC);
- Indústria cervejeira em Jacareí, Indústria Aeronáutica/Tecnologia Espacial/INPE em São José dos Campos. É a mais importante do ponto de vista político e econômico;
- Indústria Automobilística em Taubaté, Cultura em Monteiro Lobato e Turismo em Campos do Jordão;
- Polo Religioso com Aparecida, Guaratinguetá ( Santo Frei Galvão), Cachoeira Paulista (Canção Nova);
- Considerado o Vale Histórico, ou Fundo do Vale região exuberante entre as suas Serras da Mantiqueira e do Mar, muito importante para a história do Brasil, e atualmente, região de turismo;
- Municípios do Litoral Norte conhecidos mundialmente pelas suas belas praias, turismo de alto valor e também como “Capital do Surf”, Ubatuba e São Sebastiao com etapas importante e 2 campeões mundiais (Gabriel Medina/São Sebastião e Felipe Toledo/Ubatuba).
A LOGÍSTICA
- Aquele que foi o trajeto de D. Pedro I, hoje é a Rodovia Presidente Dutra, a mais importante do Brasil, com volume de tráfego da ordem de 1 milhão de viagens/dia, segundo informações não oficiais, 60% da economia do país trafega por essa rodovia, ou seja, é a artéria fundamental para as Operações Logísticas;
- O complexo Rodoviário do Vale do Paraíba, além da Via Dutra, inclui a malha Ayrton Senna/Carvalho Pinto ligando São Paulo a Taubaté, Via D. Pedro I, ligando Jacareí a Campinas (e daí pela Via Anhanguera todo o interior do Estado de São Paulo; Rodovia dos Tamoios ligando São José dos Campos ao Litoral Norte e ao Porto de São Sebastião; Rodovia Rodrigues Pinheiro ligando Taubaté ao Sul de Minas e outras tantas rodovias regionais ao longo do Vale ligando regiões importantes e funcionando como alimentadoras da Via Dutra.
- O Vale do Paraíba é cortado pela Ferrovia MRS operando ligação dos Estados de MG, RJ e SP que concentra cerca da metade do PIB brasileiro. Importante registrar que a região concentra fábricas da GM, VW, Peugeot, Citroen e o transporte de carros zero quilometro que é rodoviário poderia ser ferroviário para muitas regiões do Brasil. Essa é uma incongruência entre o discurso do Governo, dos ambientalistas, dos teóricos pois a ferrovia passa ao lado de todas essas montadoras!
- O Porto de São Sebastião é um porto público federal, através do Convenio de Delegação é administrado pela Companhia Docas de São Sebastião, empresa pública do Estado de São Paulo. Com apenas um berço de carga atende navios de porte médio e seu foco de operação é “Granel”. Com capacidade operacional quase no limite de 1,5 milhão de toneladas/ano, atendendo de 55 a 60 navios/ano no cais comercial (o Terminal da Petrobrás é privado). Destacam-se para a Exportação, Açucar e Gado Vivo (já tendo sido importante para automóveis) e para Importação: Barrilha, Malte, Cevada, Tubos e Chapas de Aço. Em termos de acesso, com previsão para final de 2024, o Contorno Sul que liga a Rodovia dos Tamoios diretamente ao Porto, será a melhor configuração do Brasil. Assim como tantos outros projetos de infraestrutura Brasil a fora, no momento o plano de arrendamento está suspenso no Mpor.
AS CONCLUSÕES
- Nunca houve nenhum estudo para transformar o rio Paraíba numa hidrovia para navegação de “Boat-bus” para passageiros ligando todas as cidades com potencial econômico e viabilidade operacional;
- Desde a concessão dada à MRS, nunca existiu plano para trem de passageiros, por exemplo, entre São José dos Campos e São Paulo;
JGVantine