“Nos primórdios dos anos 80, estava eu no Ministério dos Transportes (gestão de Eliseu Resende e depois de Cloraldino Soares Severo), cuidando de transporte intermodal como presidente da Cideti – Comissão Interministerial para Implantação e Desenvolvimento dos Transportes Intermodais; além de cuidar do Programa dos Corredores de Exportação e Abastecimento do Ministério.

Vantine era um dos diretores do IMAM – Instituto de Movimentação e Armazenagem de Materiais, e convidou-me para uma reunião de trabalho para tratar de padronização de embalagens, item fundamental para dar impulso à paletização e à conteinerização, com vistas à integração das modalidades de transporte de cargas pelo uso do transporte intermodal, seja na integração rodoferroviária, seja na rodo-hidroviária.

Jovens e idealistas, o que ainda somos hoje, apesar de vários cabelos brancos, partimos para uma cruzada nacional que resultou no efetivo envolvimento do Inmetro, através de suas Câmaras Brasileiras de padronização e normatização, e de vários investimentos no setor dos transportes, como instalações de roll-on/roll-off nos principais portos brasileiros, bem como nas primeiras experiências da RFFSA no transporte de contêineres.
Logo depois, em 1984/85, eu me posicionava como Diretor Técnico e depois Presidente do Geipot. O Vantine, talvez movido por um gesto mais carregado de amizade do que por meus méritos pessoais, resolve homenagear-me com o título de “Homem do Ano – 1985” do IMAM.

Surpreendi-me com a homenagem que dividi com Thiers Fattori Costa e Camilo Penna, além de vários outros brasileiros que nos antecederam ou seguiram, também detentores desse título. Até hoje tenho guardada esta entre as boas e gratas lembranças de minha carreira profissional.

Recentemente, reencontrei o Vantine em Manaus, com o mesmo entusiasmo de 20 anos atrás. Ele estava cuidando de logística de transportes, como consultor da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, enquanto eu estou na tarefa de coordenador-geral do Plano Nacional de Logística e Transportes, como consultor do Ministério dos Transportes e do Ministério da Defesa, através do Centran – Centro de Excelência em Engenharia de Transportes. Foi um grande reencontro, no qual pudemos relembrar com saudade aquela fase pioneira do intermodalismo no Brasil.

Agora seguimos nossos caminhos, mais ou menos próximos, na medida das possibilidades de nossas andanças por aí, sempre com os mesmos ideais de construir um país melhor e socialmente mais justo.”